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Beleza perigosa: componentes tóxicos em cosméticos

Não se deixe enganar pelos apelos de marketing e promessas milagrosas. Muitos cosméticos possuem ativos que podem prejudicar a saúde. Conheça alguns deles e torne sua escolha muito mais segura...

Nas últimas duas décadas, o setor de cosméticos no Brasil cresceu aproximadamente 10% ao ano, com mais de 1.700 empresas de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, dividindo espaço nas prateleiras das farmácias e drogarias, na disputa pela preferência do consumidor. Os cremes rejuvenescedores são um dos produtos mais procurados, especialmente por prometerem cada vez mais benefícios e em pouco tempo. Com tanta variedade e promessas, o consumidor pode acabar optando pela marca e preço, por ter visto em alguma revista ou na televisão, em vez de focar nos ingredientes descritos nos rótulos (até porque muitos ainda usam nomenclaturas em inglês e outros adotam letra tão pequena que fica difícil de ler, sem contar que nem todo leigo entende o que são e para que servem tais componentes).

O problema dessa escolha, segundo a farmacêutica e consultora técnica da Tave Farmácia de Manipulação, Anelise Taleb, é que muitos desses produtos podem conter ingredientes potencialmente perigosos para a saúde, cientificamente comprovados. "São ativos que, quando em contato diário com o corpo, podem provocar desde irritações e alergias de pele, até doenças mais graves, como o câncer", alerta Anelise.

E como fugir dessa enxurrada de ativos nocivos à saúde?

Você pode conhecer um pouco sobre esses ingredientes para identificá-los nas embalagens, procurar cosméticos com certificação orgânica/natural ou optar por produtos prescritos pelo médico e manipulados. "No manipulado, é possível inserir ativos naturais e seguros, fugindo da composição padrão dos industrializados. Além disso, em uma mesma fórmula pode-se tratar dois ou mais problemas como, por exemplo, envelhecimento, desidratação e manchas", lembra a farmacêutica.

Veja a seguir, alguns dos ingredientes mais perigosos:

  • Conservantes Liberadores de Formol - muitos cosméticos utilizam na formulação algum tipo de conservante que libera formol na pele. Um estudo realizado no departamento de Dermatologia da Universidade de Debrecen, na Hungria, e publicado no periódico "Experimental Dermatology", em maio de 2004, revelou que o formol pode contribuir para o aparecimento de câncer induzido pela radiação ultravioleta do sol. Para a segurança do consumidor, é bom observar cuidadosamente os rótulos, procurando as seguintes substâncias: quatérnium-15, diazolidinil hora, imidazolidinil ureia e DMDM hidantoína.
  • Óleo Mineral e outros derivados do petróleo - os óleos minerais estão presentes na maioria dos produtos cosméticos, devido a sua ação hidratante para a pele. Entretanto, estudos recentes vêm associando esses componentes ao aumento da mortalidade por diversos tipos de câncer, como o de pulmão, esôfago, estômago, linfoma e leucemia. Isso é devido à presença de um composto chamado 1,4-dioxano, uma substância cancerígena, como relatam estudos publicados nos periódicos "American Journal of Industrial Medicine" (Departamento de Epidemiologia, Escola de Saúde Pública, Los Angeles, CA outubro de 2005), "Contact Dermatitis" (Departamento de Dermatologia, Nagoya City University Medical School, Japão, abril de 1989) e "Regulatory Toxicology and Pharmacology" (outubro de 2003). Procure no rótulo palavras como: paraffin oil e mineral oil.
  • Parabenos: estudo realizado na Universidade de Reading, Reino Unido, e publicado em janeiro de 2004 no Journal of Applied Toxicology, revela que os parabenos apresentam propriedades estrogênicas, ou seja, se comportam como se fossem um hormônio feminino: o estrógeno. Sua utilização em produtos destinados à aplicação nas axilas (como desodorantes, por exemplo) pode estar associada ao aumento da incidência de câncer de mama, o que foi confirmado em teste realizado recentemente.  O que fazer? O mercado já possui conservantes naturais e mais modernos que permitem aos formuladores o desenvolvimento de produtos mais seguros. Os parabenos podem ser identificados nas formulações dos cosméticos e desodorantes com diversas nomenclaturas: paraben, methylparaben, ethylparaben, propylparaben e butylparaben.
  • Propilenoglicol - utilizado como diluente de outras substâncias, é usado em uma ampla variedade de cosméticos. O perigo no seu uso está ligado aos problemas de pele, como alergias e irritações. Um estudo realizado com 45.138 pacientes na Universidade de Göttingen, Alemanha, e publicado no periódico "Contact Dermatitis", em novembro de 2005, e outro feito pelo Departamento de Dermatologia do Hospital Osaka Red Cross, Japão, e publicado no periódico "International Journal of Dermatology" no mesmo ano confirmaram o potencial sensibilizante (potencial para causar alergias) do propilenoglicol. Para identificá-lo na composição, verifique a palavra propylene glycol no rótulo da embalagem.
  • Ureia - um dos hidratantes mais utilizados em cosméticos, tanto pela eficácia quanto pelo baixo preço. No entanto, a ureia é proibida para mulheres grávidas, pois penetra profundamente na pele e tem a capacidade de atravessar a placenta, podendo chegar até o feto em formação, ocasionando graves consequências ao bebê. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que todas as vezes que um produto contiver ureia em dosagens maiores que 3%, ele deve conter no rótulo o alerta: "Não Utilizar Durante a Gravidez". O órgão também proíbe a fabricação de cosméticos que contenham em sua composição mais de 10% de ureia.


EM TEMPO - o artigo revela dados fornecidos pela farmacêutica Anelise H. Leite Taleb e não expressa resultados de comprovações/testes feitos pelo site Não Vivo sem Cosméticos. Anelise é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, possui mestrado em Microbiologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Pós-graduação em Cosmetologia pela Racine e MBA em desenvolvimento de Cosméticos pela Ipupo.

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